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Jovem que se jogou sobre Renato Russo no show em Brasília fala sobre o episódio

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O jovem que se atirou em Renato Russo, no fatídico e derradeiro show da Legião Urbana em Brasília, em 1988, esclarece todas as indagações acerca do episódio: "Foi um gesto de carinho. Não o agredi"

O fã e suposto agressor Silvestre Araújo resolveu relembrar o fatídico momento e esclarecer todas as indagações acerca do episódio. Em entrevista exclusiva ao Correio, desmentiu uma série de equívocos publicados no decorrer dos últimos anos.

Durante a conversa, ficou claro que ele não sofre de qualquer patologia psiquiátrica, mas padece de uma deficiência física na perna, que o obriga a mancar. Para ele, no entanto, a retificação mais importante é atestar que o gesto não foi uma agressão, mas “uma atitude de carinho. Um abraço”.

Silvestre jamais havia conversado com a imprensa, embora os pedidos fossem recorrentes. “Meu crachá profissional caiu e uma tevê conseguiu me localizar. Não dei entrevista, pois não simpatizo com os ideais da emissora. Eles colocaram o que quiseram”, disse.

O instante
Em 18 de junho de 1988, Silvestre estava com 27 anos (algumas reportagens falam em um rapaz de 19 anos). Era gerente do antigo Clube Primavera, em Taguatinga. Foi graças ao emprego que conseguiu subir no palco. “Alguns dos seguranças que trabalhavam no clube, e me conheciam, foram convocados para o show. Eles facilitaram meu acesso”, revelou.

Foi, então, que se aproximou do ídolo e o agarrou. “Ele estava de costas. Talvez tenha ficado assustado. Meu intuito era dar um abraço. Nunca quis causar aquele tumulto. Não o agredi”, afirmou. Depois de ser retirado do palco, os seguranças o aconselharam a ir embora.

De acordo com Silvestre, o gesto não provocou a confusão posterior, mas serviu como faísca para uma plateia que estava inflamada. “Era o fim da ditadura. Os jovens estavam experimentando liberdade. Era a primeira vez que as cidades satélites se encontravam com o Plano Piloto, de forma mais direta. A Polícia Militar não esperava aquela quantidade de pessoas e estava despreparada. Quando subi, a multidão ficou eufórica”, lembrou.

O próprio Renato Russo, que reagiu com veemência no momento, chegou a defender o jovem, enquanto ele era expulso do local. “Solta ele! Solta ele! Ou leva esse microfone na cabeça, meu irmão”, exclamou para aqueles que repreendiam o rapaz. Silvestre, que estava acompanhado da esposa grávida, foi embora em seguida. “Hoje, minha filha Aline está com 25 anos”, contou. Entre as revelações, o ainda fã da Legião, não esboça qualquer ressentimento: “Não me arrependo. Foi o melhor abraço que eu dei na vida.”

Depoimento - Marcelo Bonfá
O que posso dizer sobre o gesto de Silvestre é o que sempre soube, ou melhor, desconfiava: que tenha sido um atitude de carinho. Sei que as pessoas têm muita dificuldade em expressar seus sentimentos, e eu me incluo nesta lista. No show da MTV com Wagner Moura, tinha um cara na plateia que começou a xingar o Dado. Ele revidou e chamou o cara para subir no palco. O cara, que não era pequeno, partiu para cima e, quando eu vi aquilo, saltei da minha bateria para tenta ajudar o Dado. Isso tudo é energia rolando sem controle, mas que faz parte da condição humana. É claro que, dependendo da situação, pode sim gerar uma dúvida ou, de fato, transparecer a intenção de provocação. No entanto, duvido que alguém vá a um show de um artista em particular apenas para afrontá-lo.

Fonte: Correio Braziliense

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